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Parir em Paz

Parir em Paz

Preparação para o nascimento - a realidade portuguesa

Ontem li no Correio da Manhã que um estudo espanhol concluiu que as mulheres que fazem preparação para o parto apresentam menores níveis de ansiedade,dão de mamar por mais tempo, mas pedem doses iguais de anestesia e o parto tem duração semelhante, em comparação com as mulheres que não frequentam esse tipo de aulas.

Seria interessante fazer este estudo em Portugal.... A verdade é que os conteúdos das aulas de preparação para o parto são as mesmos de á 30 anos!
O que se está a passar com a preparação para o parto no nosso pais?
A grande maioria estão feitos para nos ensinar a seguir a rotina hospitalar,  mentalizam-nos para "aguentar" para não gritar, para sermos submissas e colaboraradoras!

Quando fiquei grávida da minha filha ( que já tem 6 anos ) fiz preparação para o parto num local muito conhecido, pelo método psicoprofiláctico . O que aprendi?

- Aprendi a respirar! UAU! como se eu não o soubesse fazer!!!
O Lamaze Institute (que conhecemos em Portugal por método psicoprofiláctico), vive actualmente uma época de pouca aceitação a nível internacional, exactamente pela imagem de uma preparação para o parto focalizada na respiração.
No entanto, no seu último guia The Official Lamaze Guide, fala-se mesmo de repensar a respiração e relaxamento. Neste guia, a mulher é convidada a encontrar a sua própria respiração consciente, e a procurar outras formas de se manter activa para lidar com as contracções: andar, dançar, massagens, bolas de parto, baloiçar, etc. Resumindo, respirar já não é o ensino ou a prática, do Lamaze Institute.
No entanto, em Portugal, o método Lamaze utilizado nas preparações para o parto continua a ser focalizado na respiração.

O que diz M. Odent - "Assim, Lamaze, obstetra francês, pai da psicoprofilaxia ocidental, dizia e escrevia que uma mulher deve aprender a dar à luz tal como aprende a andar, a ler ou a nadar. Estas indicações despistaram o mundo inteiro, e com o tempo, resultaram numa crise. (…) Foi assim que gerações de mulheres gestantes foram preparadas para o parto.

A interpretação do processo de parto como um processo involuntário que põe em marcha as estruturas ancestrais, primitivas, mamalianas do cérebro, pressupõe desfazer a ideia aceite de que uma mulher pode aprender a parir.

Esta interpretação permite, inclusive, compreender que não se pode ajudar activamente uma mulher a parir. Não se pode ajudar num processo involuntário. Somente se pode evitar perturbá-lo demasiado."

In Michel Odent El bebé es un mamífero 1990.


-Aprendi a "Encher o peito de ar, fechar a boca e fazer FORÇA!"

Frase conhecida pela maioria das mulheres que já passou pela preparação para o parto pelo método psicoprofiláctico (ou pariu num hospital! ).

Este tipo de respiração tem tecnicamente o nome de Manobra de Valsalva.

O que dizem as evidencias cientificas da utilização desta manobra no parto?
Recomendações da OMS:

"4.4 O procedimento de fazer força na segunda fase do trabalho de parto- A prática de estimular o fazer força de forma prolongada e dirigida (manobra de Valsalva) durante a segunda fase do trabalho de parto é amplamente utilizada em muitas maternidade. A alternativa é apoiar o padrão espontâneo da mulher de fazer força. Vários estudos compararam estas duas práticas (Barnett e Humenick 1982, Knauth e Haloburdo 1986, Parnell e al 1993, Thomson 1993). A força involuntária resultou em três a cinco "forças" relativamente curtas (4-6 segundos) a cada contracção, comparando com forças continuas com 10-13 segundos de duração, acompanhadas por apneia forçada. O segundo método resulta numa segunda fase um pouco mais curta, mas pode causar alterações de frequência e de volume de fluxo cardíaco provocadas pela respiração. Se a mulher estiver deitada de costas, pode haver também compressão da aorta e redução do fluxo sanguíneo ao útero. Nos estudos publicados, o pH médio na artéria umbilical foi menor nos grupos com força prolongada, e havia uma tendência para depressão dos valores de Apgar. As evidências existentes são poucas, mas delas emerge um padrão onde o fazer força de forma prolongada e precoce resulta numa diminuição modesta da duração da segunda fase, mas isto não parece trazer nenhum benefício; parece haver comprometimento das trocas gasosas materno-fetal. A força espontânea curta parece ser melhor (Sleep et al 1989). Em muitos países, é comum a prática de fazer pressão no fundo do útero durante o segundo estágio do trabalho de parto, com a intenção de acelerar o nascimento. Ás vezes isto é feito pouco antes do desprendimento, outras desde o início do período expulsivo. Além do aspecto do maior desconforto materno, suspeita-se que esta prática possa ser perigosa para o útero, períneo e feto, mas não existem dados de pesquisa sobre este assunto. A impressão é que, no mínimo é usado com muita frequência, sem que existam evidências da sua utilidade". (Care in normal birth: A practical guide. 1996, WHO)

Estudo apresentado Em Janeiro de 2006 o Gray Journal (Jornal Americano de Obstetricia e Ginecologia)

"a diferença tem pouco impacto em todo o tempo do parto, cujos especialistas dizem que pode ir além das 14 horas em média, quando ás mulheres foi dito para fazer força em cada contracção, deram à luz 13 minutos mais rápido que aquelas que não receberam qualquer tipo de instrução".( Coaching women during childbirth has little impact, Dec 30, Reuters)

A manobra de Valsalva foi ainda identificada como um dos factores de risco de trauma genital em partos vaginais espontâneos e normais, em mulheres primíparas assistidas por enfermeiras-parteiras, num estudo publicado no The Birth Journal em Junho de 2006. (Leah L. Albers CNM, DrPH, Kay D. Sedler CNM, MN, Edward J. Bedrick PhD, Dusty Teaf MA, Patricia Peralta (2006) Factors Related to Genital Tract Trauma in Normal Spontaneous Vaginal Births Birth 33 (2), 94–100.)

Se encher o peito de ar, fechar a boca e fazer força, independentemente da posição em que estiver, consegue perceber que o efeito gerado é o contrário ao que o corpo necessita (o períneo é contraído em lugar de descontrair).

Então porque é que ainda se ensina a respirar para o parto, então porque é que as nossas maternidades ainda usam a manobra de Valsalva?

- Aprendi a parir deitada e a estar deitada durante todo o trabalho de parto, aprendi que a episiotomia é útil pois "é melhor cortar que rasgar", aprendi a estar passiva e ouvi mais de 500 vezes a frase " não faça nada que vá prejudicar o parto, a criança, e a si!". 

"Não faça nada....."


Afinal... Preparação para o nascimento de um filho? Porquê e para quê?


Sem duvida que todas nós mulheres estamos preparadas para parir... mas a mente e o espírito estarão?

O que é fundamental para mim num curso de preparação para o parto?
-Trabalhar a parte emocional
-"Empoderar" as mulheres, fazendo-as ver que são donas do seu corpo e possuem uma capacidade inata para parir
- Esmiuçar a fisiologia do parto
-E falar sobre as possibilidadse do plano de parto

Tinha muitas mais coisas a acrescentar, mas estas 4 são fundamentais para mim !


A preparação para o parto tem de mudar urgentemente!
Nós, mulheres, temos de recuperar a confiança na nossa capacidade inata de parir, escutando os nossos instintos, em vez de esperar por ordens externas.

Aos profissionais compete actualizarem-se com base em evidências científicas!

Ao escutar-se os sons e gemidos emitidos pelas mulheres livres durante a fase de expulsão do bebé, facilmente os confundimos com os sons de satisfação de uma relação sexual amorosa.


Quantas mulheres aceitariam ter aulas de preparação sexual em que lhe fosse ensinado como respirar e agir no momento de um orgasmo?

...

O corpo é como um planeta. Ele é uma terra por si só. Como qualquer paisagem, ele é vulnerável ao excesso de construções, a ser retalhado em lotes, a se ver isolado, esgotado e alijado do seu poder. A mulher mais selvagem não será facilmente influenciada por tentativas de urbanização. Para ela, as questões não são de forma, mas de sensação. O seio em todos os seus formatos tem a função de sentir e de amamentar. Ele amamenta? Ele é sensível? Então é um seio bom.
Já as ancas são largas por um motivo. Dentro delas há um berço de marfim acetinado para a nossa vida. As ancas da mulher são estabilizadoras para o corpo acima e abaixo delas. Elas são portais, são uma almofada opulenta, suportes para as mãos no amor, lugar para as crianças se esconderem. As pernas foram feitas para nos levar, às vezes para nos empurrar. Elas são as roldanas que nos ajudam a subir; são o anillo, o anel que abraça o amado. Elas não podem ser criticadas por serem muito isso ou muito aquilo. Elas simplesmente são.
No corpo, não existe nada que "devesse ser" de algum jeito. A questão não está no tamanho, no formato ou na idade, nem mesmo no facto de ter tudo aos pares, pois algumas pessoas não têm. A questão selvagem está em saber se esse corpo sente, se ele tem um vínculo adequado com o prazer, com o coração, com a alma, com o mundo selvagem. Ele tem alegria, felicidade? Ele consegue ao seu modo movimentar-se, dançar, gingar, balançar, investir? É só isso que importa.


Clarissa Pinkola Estés
Mulheres que correm com os lobos

Massagem para Bebés - NOVO CURSO EM SINTRA


Nutrir uma criança
Sim
Mas não só com leite
É preciso pegar-lhe ao colo
É preciso acariciá-la
Embalá-la
E massajá-la
É necessário conversar com a sua pele
Falar com as suas costas
Que tem sede de fome
Como a sua barriga


“Shantalla” – Leboyer, F.


Curso de Massagem para bebés

O curso é composto por 4 encontros, habitualmente semanais, em horário pré acordado, pratica-se a massagem, debate-se a sua importância, quais os benefícios que daí advém para os pais e para o bebé, debatem-se vários temas relacionados com o desenvolvimento da criança, o sono, o choro, etc.
É um momento em que se esclarecem dúvidas no sentido de facilitar o vínculo entre ambos e se ensina a técnica da massagem ao longo de todo o corpo do bebé.
Tudo isto no sentido de potenciar de uma forma saudável através do toque a relação pais – bebé.
Pode se feito em sua casa ou na D.S.O. em Sintra

4 aulas de 1h / 1h30m

Local e preços:
DSO - Sintra, 50 euros mínimo 2 bebés máximo 4 - Domingo dia 13 de Junho ás 15 horas começa um novo curso.

Em sua casa - 100 euros ( combine com outro casal e faça um curso de massagem para bebés em sua casa e divida a despesa - 150 euros 2 bebés ou 180 euros 3 bebés )

Porque desvalorizamos tanto o trauma do parto?

O transtorno por stress pós-traumático ou TEPT, é um transtorno psicológico classificado dentro do grupo dos transtornos de ansiedade, que ocorrem como consequência da exposição a um evento traumático.

Muita mulheres contam-me que depois de um parto traumático ouvem com muita frequência "mas... é apenas o nascimento" ou "pelo menos tens o teu bebé nos braços " e são classificadas como "sensíveis".

De acordo com o DSM-IV, os critérios necessários para fazer o diagnóstico são:

A existência de um evento traumático claramente reconhecível como um atentado à integridade física, própria ou alheia, que tenha sido experimentado directa ou indirectamente pela pessoa afectada e que lhe provoque temor, angústia ou horror.

A reexperimentação repetida do evento, ou seja:
Pensamentos recorrentes e intrusivos (flashback);
Pesadelos;
Comportamento como se o evento ocorresse novamente.

A insensibilidade afectiva, identificável por:
Diminuição expressiva no interesse em realizar actividades comuns ou significativas, especialmente se tem alguma relação com o evento traumático.
Sensação de alheamento em relação às outras pessoas.
Restrição afectiva. Incapacidade de amar.
Hiperatividade.
Distúrbios do sono.
Dificuldade para concentrar-se.
Irritabilidade.

Entre os factores que contribuem para o desenvolvimento do TEPT, estão:

A extensão em que o evento traumático afecta a vida íntima e pessoal do afectado.
A duração do evento.
O grau de vulnerabilidade ante a maldade humana (é mais provável que o TEPT ocorra em eventos provocados pela mão do homem do que por eventos naturais).


Na nossa sociedade, é muito simples dizer a uma mulher traumatizada pelo seu parto, "Pelo menos tens um bebé saudável.", E confronta-la com, "Eu entendo que o nascimento não foi como tinhas planeado, mas tudo está bem quando acaba bem! ".
A mãe traumatizada tem que aprender a cuidar de uma criança, lidar com a privação do sono, enfrentar uma montanha de roupa para lavar e passar, cozinhar e limpar a casa. Bem-vinda à maternidade!

Infelizmente não valorizamos o trauma do parto....


Assim, e isto é realmente importante ( mesmo que tudo parece completamente bem para quem está de fora ) que se uma mulher sente que ela ou seu bebé podem sofrer danos, se uma mulher sente medo e desamparo em trabalho de parto ... mesmo se os procedimentos são rotina para a equipa médica, esta mãe pode sofrer de stress pós traumático, independentemente dela e do seu bebé saírem do hospital vivos e fisicamente saudáveis...


A maioria das pessoas espera que o parto seja doloroso, horrível, insuportável, fora de controle, e desagradável... Isso é que é vemos nos filmes e programas de TV, e muitas vezes nas histórias passadas através de geração em geração. ... É um mito.... É verdade que, infelizmente, a maioria das mulheres na nossa sociedade tiveram um parto ( e um nascimento! ) traumático... MAS É UM MITO QUE O PARTO NÃO POSSA SER UM PRAZER!!!

O parto pode ser bom! Pode ser uma coisa difícil de ouvir, principalmente para uma mulher traumatizada pelo seu parto, mas isso explica uma das razões por que dói tanto emocionalmente quando o parto é traumático ... porque não era para ser assim. A natureza não pretendem que seja dessa maneira. Mas porque a maioria dos nascimentos na nossa cultura são assim, é muito difícil para a maioria das mulheres admitirem que o seu parto pode ter um impacto sobre as suas vidas.

Imagine que foi vitima de um trauma como.... um sequestro ou uma queda de um avião e sobreviveu.... a sua família e amigos não reconhecem que a experiência foi traumática...... Imagine poucos dias depois as pessoas em seu redor a dizer "Ainda estás a pensar sobre isso? Só tens é que seguir em frente! Estás bem, não morreste... então qual é o problema? "
E, entretanto, está a lutar com flashbacks, ansiedade e necessidade de falar sobre o que aconteceu, para tentar que lhe faça algum sentido ... mas ninguém consegue reconhecer sua situação....

A experiência de trauma após o parto pode ser intensamente isolada se passa despercebida. Portanto, cabe a nós reeducar-nos e aqueles que nos rodeiam, lembrando a todos que SIM um parto pode ser traumático quando não é vivido e sentido como a mãe idealizou!

A verdade sobre o parto, traumático ou não, é esta: o impacto do parto tem um efeito cascata sobre toda a vida de uma mulher. Se foi uma experiência positiva, irradia-se para o exterior, sobre TUDO o que acontece após o parto. Mas se foi uma experiência negativa, então podemos falar no efeito dominó - a mulher é derrubada a cada desafio, o impacto do nascimento espalha-se sobre todos os aspectos da sua vida... e este simples reconhecimento pode ser o início de uma jornada de cura para uma mulher traumatizada pelo parto, e assim conseguir abraçar a maternidade, como ela sempre desejou!

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